terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O TEMPO DO RETORNO

A Reconstrução Necessária ( Esd. 2.64-70)

Vamos iniciar um estudo no livro de Esdras sobre restauração e reconstrução visando tirar algumas lições para nossa vida espiritual.

Umas das coisas mais dificeis para o ser humano é o recomeço. Quando pela primeira vez se constroi algo, seja um objeto, um trabalho de arte, uma obra literaria, ou meso um relacionamento, o primeiro início é sempre desafiante e estimulante. Olhando o planejamento do amanhã, o ser humano, geralmente se entusiasma para realizá-lo

Entretanto, se por qualquer motivo somos obrigados a refazer tais caminhos, o desânimo chega, o cansaço se apossa de nós, e o sentimento de frustração toma conta do nosso coração por reconhecermos que tudo aquilo que já foi feito se perdeu. Tal sentimento se torna mais deprimente, ainda, quando lembramos dos motivos negativos que nos levaram à primeira perda. Pensem, então, o sentimento que deveria sentir o coração dos líderes em Israel. Os mais velhos que, por certo, reconheciam a história do primeiro templo, tendo inclusive, visto algo dele, ou mesmo escutado de seus pais a narrativa de sua beleza e grandeza, como deveriam se sentir agora que viam tudo por ser refeito e diante de enormes dificuldades que não existiram por ocasião da primeira construção? Mas, não foi isto que aconteceu. A Bíblia nos fala a reação desses líderes positiva e firme: "E alguns dos chefes dos pais, vindo à casa do Senhor, que havita em Jerusalém, deram voluntárias ofertas para a casa de Deus para a fundarem no seu lugar" (Esd. 2.68).

Muitas vezes, em nossa vida, estamos diante de situações assim. O povo de Deus, de seu passado tão distante, nos ensina uma lição. Não podemos fraquejar. Se Deus nos oferece novamente a oportunidade de prosseguir, o que devemos fazer é aceitar o desafio e prosseguir com muita disposição e certeza de estar no centro da vontade divina. Tentar novamente, pois se o Senhor nos deu a nova chance é porque tem novos planos para mim e para você. E, de certa forma confia em nós. Não podemos decepcionar aquele que tem traçado grandes planos para nós, mesmo diante de dificuldades que, aos nossos olhos, são dificeis de serem transpostas. Com Deus ao nosso lado faremos proezas como o fez o povo dele no passado bíblico.

Vidas Dedicadas no Altar (Esd. 3.1-7)


Depois de sete meses de chegado, o povo se espalhou pela terra e, em razão da natural necesidade material de um espaço para moradia, buscam contruir as suas casas ocupando a terra.

Logo, a necessidade de busca espiritual vai chegar também e um dos líderes, Jesua, componente do grupo sacerdotal, juntamente com seus irmãos levitas, volta-se para esta carência e dá começo à contrução do altar de sacrifícios. Interessante observar que, tal como no início da formação do povo com Abraão e Jacó, a contrução de altares para dedicação ao Senhor se tornou uma tradição religiosa. O povo agora, depois de cinco séculos de monarquia e setenta de exílio, não tinha templo nem tabernáculo, mas sentia a necessidade de consagrar suas vidas ao Senhor. Isto vai ser feito como podemos ler nos textos a seguir. Além de construirem o altar, iniciaram a celebrar junto a ele os cultos diários pela manhã e pela tarde, bem como as festas religiosas instituídas pelo calendário mosaico como, por exemplo, a Festa dos Tabernáculos: "E firmaram o altar sobre as suas bases, porque o terror estava sobre eles, por causa dos povos da terra, e ofereceram sobre ele holocaustos ao Senhor, holocaustos de manhã e de noite" (Ed 3.3).

É importante observar este fato. Antes do tabernáculo (que não seria mais construído, mas provavelemente eles poderiam tê-lo feito), antes do templo (que só muito mais tarde construiriam), eles sentiram a necessidade de se colocarem diante de Deus com suas vidas. O altar significava extamente isto: oferta, confissão, entrega. O povo de deus sentia a necessidade de colocar-se diante do Pai em inteireza e integridade de vida. Será que nos dias de hoje ainda estamos procedendo assim? A igreja de Cristo hoje estará procedendo desta maneira?

Ou qem sabe, estamos muito formais, muito cerimoniosos, muito rituais? Estamos em busca de coisas aparentes apenas. Antes de chegar ao templo, lembremos, precisamos consagrar nossa vida ao Senhor.

O Culto no seu Devido Lugar (Ed 3.8-13)


Pode ser que alguns estejam perguntando por que esta preocupação com a construção do templo de Deus quando, no momento presente, lhes era muito mais necessária a construção de suas casas? Ocupando os espaços na terra que ficara vazia por longo tempo, eles demarcavam suas estacas e definiam suas fronteiras diante dos povos adversários que não estavam vendo com bons bons olhos a volta do povo de Deus. Jerusalém ficava muito ao centro da Terra Prometida e se circunscrevia praticamente ao contorno do Monte Sião. Se eles se conscentrassem apenas nesta região, a ocupação seria muito restrita e propiciaria, por certo, mais fácil oposição dos inimigos. Assim, era melhor mesmo, sob o ponto de vista estratégico, que se distribuíssem pela terra e não pensassem por ora, em reconstruir o templo em Jerusalém.

Mas não é isto que vai acontecer. Embora a contrução vá se retardar mesmo, o fato é que, logo no começo do retorno, a liderança de Israel, e mesmo o povo que havia retornado, sentiu a necessidade de colocar o culto a Deus no seu devido lugar. Não construíram um tabernáculo movel como no passado mosaico, nem mesmo sinagogas como aprenderam a fazer no exílio babilônico. Eles queriam ver, novamente, a casa de Deus, o lugar do culto ao Senhor, por isso, "E, no segundo ano da sua vinda à Casa de Deus, em Jerusalém, no segundo mês, começaram Zorobabel, filho deSealtiel, e Jesus, filho de Jozadaque, e os outros seus irmão, os sacerdotes e os levitas da idade de vinte anos e daí pata cima, para que aviassem a obra da casa do Senhor" (Ed 3.8).

É interessante notar o grau de urgência que eles consagraram à obra. O verbo utilizado exprime urgência, pressa, rapidez. Eles precisavam o quanto antes, "aviar" a obra. Isto vai demorar. Os profetas Ageu e Zacarias vão precisar quase vinte anos depois, conclamar o povo o término da obra, mas o o fato é que no momento preciso eles sentiram a responsabilidade da urgência da missão a realizar.

A Deus toda Glória!


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